Ilegitimidade Ativa de Lojistas
A 36ª câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) deliberou recentemente sobre a legitimidade ativa de lojistas quanto à exigência de prestação de contas separadas para encargos comuns em shopping centers. A decisão foi unânime ao entender que o lojista não pode demandar individualmente esse tipo de prestação de contas. O colegiado destacou que a responsabilidade de fornecer informações sobre os encargos comuns cabe a gestão do shopping, que deve apresentá-las em assembleias de forma coletiva.
Entenda o Julgamento do TJ/SP
O processo foi motivado por uma ação que um lojista ajuizou após ter celebrado um contrato de locação em um shopping. Ele alegou que não recebeu esclarecimentos satisfatórios sobre os valores cobrados a título de condomínio, promocionais e outros encargos. O tribunal, no entanto, constatou que a solicitação do lojista não se sustentava, una vez que a prestação de contas deve ser feita de maneira coletiva durante as assembleias dos condôminos.
Aspectos Legais da Prestação de Contas
O relator do caso, o desembargador Walter Exner, enfatizou que a prestação de contas por parte da administração do shopping é uma obrigação coletiva. Referindo-se à legislação aplicada, o desembargador citou a Lei 8.245 de 1991, que rege as locações comerciais, e que ao estabelecer normas pertinentes, reforça a natureza coletiva das decisões e prestações de contas nos shopping centers.

Transparência nas Contas do Shopping
Uma das principais críticas levantadas pelo lojista foi acerca da falta de clareza nas contas apresentadas pelo shopping. Ele alegou que os documentos não traziam comprovantes das despesas e não esclareciam adequadamente como os valores eram rateados. Apesar desses argumentos, a câmara reconheceu que as informações devem ser apreciadas por todos e que a falta de transparência nas prestadoras de contas deve ser discutida em assembleia, e não em ações individuais.
Direitos dos Lojistas em Shoppings
Os lojistas em shopping centers têm direitos garantidos por lei, como o acesso a informações sobre os encargos comuns e a possibilidade de participar das assembleias. Contudo, devem respeitar as normas estipuladas sobre como essas informações são tratadas e discutidas. A decisão do TJ/SP reforça que as demandas de esclarecimentos devem seguir o rito apropriado, evitando processos individuais que fragmentem a transparência desejada.
A Importância da Assembleia Coletiva
A assembleia é um espaço fundamental para que todos os lojistas possam discutir questões pertinentes ao coletivo. Durante essas reuniões, são elaborados relatórios e prestação de contas que visam garantir a transparência e evitar mal-entendidos entre os locatários. A responsabilidade conjunta assegura uma gestão mais eficaz e a defesa dos interesses de todos os envolvidos no shopping.
Dificuldades Enfrentadas pelos Lojistas
Os lojistas muitas vezes enfrentam dificuldades em compreender a dinâmica das taxas e despesas que lhes são apresentadas. Grupos ou associações de lojistas podem se organizar para discutir e buscar melhorias nas relações com a administração do shopping. Assim, a atuação coletiva é prestigiada para resolver problemas comuns e favorece um ambiente de maior diálogo.
O Que Pode Ser Feito em Caso de Irregularidades?
Quando um lojista perceber irregularidades nas cobranças ou na falta de informações, o correto é levar a questão para discussão nas assembleias ou, se necessário, realizar a comunicação formal à administração do shopping. Medidas legais podem ser exploradas caso as irregularidades persistam após tentativas de resolução administrativa.
Implicações da Sentença para o Futuro
A decisão do TJ/SP pode moldar o futuro da relação entre lojistas e shopping centers. A confirmação da necessidade de uma abordagem coletiva em vez de individualmente pode afetar a forma como as reclamações são feitas e as informações são gerenciadas. Além disso, pode abrir espaço para discussões sobre a adequação das práticas de transparência na prestação de contas em shopping.
Orientações para Lojistas Após a Decisão
Os lojistas devem se atentar às determinações do TJ/SP sobre a necessidade de coletividade nas demandas. É recomendável que se organizem em associações ou grupos e busquem constantemente informações durante as assembleias, apoiando ações que promovam a transparência e efetividade nas prestações de contas. A conscientização sobre seus direitos e deveres irá ajudar a evitar futuros desentendimentos.


