O que motivou a assembleia geral?
No dia 28 de março, os servidores do Poder Judiciário de São Paulo se reuniram virtualmente para discutir a Campanha Salarial de 2026. A necessidade dessa assembleia surgiu a partir das crescentes preocupações com a valorização salarial, especialmente em um contexto onde a inflação tem impactado diretamente o poder aquisitivo dos servidores. O evento foi uma resposta a essa demanda, buscando garantir que os profissionais da área judicial fossem ouvidos e seus direitos reivindicados.
Como foi a participação dos servidores?
A assembleia contou com a participação de aproximadamente 420 servidores, mostrando um engajamento significativo da categoria. O encontro foi conduzido por José Gozze, presidente da Assetj, juntamente com líderes de várias entidades associativas. Durante a reunião, diversos diretores, como Diógenes Marcelino, Geraldo Carvalho Jr. e Margarida Falcão, também estiveram presentes, contribuindo para as discussões e ouvindo as colocações dos participantes.
Entendendo o índice de 4,25%
O principal ponto de discussão foi a proposta de reajuste salarial de 4,25% oferecida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Para muitos, esse índice foi considerado insuficiente, especialmente quando se analisa o contexto econômico atual, onde as perdas inflacionárias acumuladas são estimadas em 25,09%. Essa disparidade entre o que foi ofertado e o que se perdeu ao longo do tempo gerou um sentimento de insatisfação entre os servidores, que buscam uma compensação mais justa.

Impacto das perdas inflacionárias
As perdas inflacionárias representam uma preocupação constante para os servidores. Com a inflação acumulada em 25,09%, a proposta de 4,25% se mostra incapaz de repor as perdas reais de poder de compra, o que foi amplamente debatido durante a assembleia. Esse é um tema crucial, pois reflete diretamente na qualidade de vida dos servidores, que enfrentam desafios financeiros decorrentes do aumento generalizado de preços.
O papel das lideranças na decisão
As lideranças presentes na assembleia desempenharam um papel vital nas discussões, garantindo que todos os pontos de vista fossem considerados. A condução do evento por José Gozze e outros diretores facilitou um espaço de diálogo onde servidores puderam expressar suas preocupações e opiniões, culminando em uma votação que aceitou, embora com ressalvas, a proposta de 4,25%. Essa decisão, no entanto, enfatizou que a aceitação não finaliza as negociações, mas serve como base para futuras discussões.
Discussões sobre pautas estruturais
A assembleia não se limitou apenas à questão salarial. Também foram destacadas pautas estruturais que exigem atenção, como a aprovação do Adicional de Qualificação (AQ) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), o reconhecimento do Nível Superior para Escreventes e o desenvolvimento de um novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários. Essas questões são consideradas fundamentais para o fortalecimento das condições de trabalho e valorização profissional dos servidores.
O que vem a seguir após a decisão?
A decisão de aceitar o índice de 4,25% é apenas um passo na jornada de reivindicações dos servidores. Com 201 votos a favor e 97 contra, ficou claro que há um compromisso em continuar as lutas por melhores condições. A expectativa agora é que as entidades protocolam uma contraproposta que busque o parcelamento das perdas históricas de 20,84% nos próximos meses. Essa ação secunda a ideia de que as negociações devem continuar e evoluir em direção a um acordo mais satisfatório.
Mobilizações nos fóruns judiciais
Para manter a pressão sobre as autoridades e garantir que outras pautas prioritárias sejam discutidas, a assembleia aprovou a realização de atos em fóruns. Essas mobilizações visam fortalecer a unidade da categoria, bem como informar e envolver mais servidores nas discussões sobre suas reivindicações. As datas dos atos serão anunciadas em breve, ressaltando o comprometimento dos trabalhadores com suas demandas.
O que está em jogo para os servidores?
A realidade enfrentada pelos servidores do Judiciário não se resume apenas a salários, mas abrange questões de dignidade e valorização profissional. A aceitação de um reajuste que não cobre as perdas inflacionárias representa um sinal de alerta para a necessidade de ação coletiva. Os servidores entendem que suas lutas individuais se somam a uma causa maior, que é a dignidade do trabalho no serviço público.
Analisando a resposta do TJSP
A condução das negociações e a resposta do TJSP mostra a necessidade de um diálogo constante e aberto entre as partes. As entidades enfatizaram a urgência de uma mesa de negociação permanente, que possa atender às demandas não só salariais, mas também das condições de trabalho e desenvolvimento profissional. A expectativa é que as partes possam sentar para discutir não apenas o reajuste, mas um pacote mais amplo que contemple as necessidades de todos os servidores.


