História do Projeto Retreta
O Projeto Retreta foi lançado oficialmente em 17 de dezembro de 2025, no Coreto da Praça da Matriz, em Feira de Santana. Desde o início, o objetivo claro do projeto foi trazer de volta o formato tradicional das apresentações de filarmônicas em espaços públicos, promovendo uma conexão emocional e cultural entre as novas gerações e os repertórios históricos da Sociedade Filarmônica 25 de Março.
Além dos concertos, o projeto incorporou uma exposição fotográfica intitulada “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias”, que propõe um diálogo entre registros visuais da trajetória musical da cidade e sua história cultural. O planejamento inicial estabeleceu a presença dessa mostra em todas as edições do projeto, reforçando a importância da memória visual associada à musicalidade local.
A Filarmônica 25 de Março e sua Tradição
A Sociedade Filarmônica 25 de Março foi criada em 25 de março de 1868, e sua fundação está diretamente ligada às celebrações do Brasil Imperial. Com mais de um século e meio de história, a filarmônica tem sido um pilar da cultura feirense, atuando em procissões, festas cívicas e religiosos, e em retretas que marcaram a vida social da cidade.

Atualmente, a filarmônica não só continua a realizar concertos, mas também desempenha um papel vital na formação de novos músicos através da Escola de Música Maestro Estevam Moura, ampliando seu impacto cultural e educacional na comunidade.
União Sanfelixta: Patrimônio Cultural
A Sociedade Filarmônica União Sanfelixta, originária de São Félix, foi convidada a participar da edição comemorativa do Projeto Retreta. Recentemente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de São Félix pela Lei Municipal nº 556, de 26 de agosto de 2026, a participação desta filarmônica destaca a missão do projeto de promover intercâmbio cultural entre diferentes sociedades musicais da Bahia.
A troca entre as filarmônicas não é apenas um evento musical, mas um reencontro e fortalecimento de laços culturais que datam de várias gerações, permitindo um diálogo enriquecedor entre as tradições musicais da região.
Importância dos Coretos na Música Pública
A importância dos coretos na história da música pública em Feira de Santana é inegável. Antes da popularização das tecnologias de comunicação e das amplas estruturas para eventos, os coretos cumpriam um papel central nas interações sociais e culturais da cidade.
O Coreto da Praça da Matriz, erguido em 1916, serve como um exemplo emblemático dessa prática, tendo sido o cenário de inúmeras apresentações de bandas durante festividades religiosas, inaugurações e encontros comunitários. Esses eventos transformavam a execução musical em um ato social, onde público e artistas interagiam diretamente, sem a separação típica que marcará os formatos de apresentação mais modernos.
Exposição Fotográfica: Notas de um Tempo Antigo
A exposição fotográfica “Notas de um Tempo Antigo: Imagens que Contam Histórias” que acompanha o Projeto Retreta, visa celebrar e preservar a memória cultural de Feira de Santana. As fotografias expostas retratam não apenas os músicos e as bandas, mas também os diversos espaços que compõem a cultura feirense ao longo das décadas.
Essa documentação visual é fundamental em um contexto onde muitos dos edifícios e ambientes históricos passaram por diversas transformações, contribuindo para a narrativa coletiva sobre a evolução urbanística e cultural da cidade. O projeto, portanto, não só enriquece a experiência do evento, mas permite que o público tenha uma compreensão mais profunda das raízes culturais locais.
A Trajetória Musical de Moacir Santos
Em 2026, celebra-se o centenário de nascimento do compositor Moacir Santos, um marco importante que será lembrado nas apresentações do Projeto Retreta. A obra “Coisa nº 1”, que faz parte do repertório a ser executado, destaca a relevância de Santos no cenário musical brasileiro. A trajetória de Moacir Santos começou no interior, onde teve suas primeiras experiências musicais antes de ganhar reconhecimento nacional e internacional.
A inclusão de sua obra no repertório do projeto não apenas rende homenagem a um dos grandes nomes da música brasileira, mas também solidifica as conexões entre a tradição local e a grande história da música do Brasil.
Celebrações dos 193 anos de Feira de Santana
Em 18 de setembro de 2026, Feira de Santana celebrou seus 193 anos de emancipação político-administrativa. A data é um momento de celebração coletiva que inclui diversas atividades religiosas, culturais e educacionais, refletindo sobre a trajetória da cidade até os dias de hoje.
A edição do Projeto Retreta, que ocorrerá apenas oito dias após esta data, assume um papel especial ao focar especificamente na memória musical, ligando-a ao contexto histórico da cidade e à experiência de vida da comunidade. Esse evento festivo se torna uma forma de reimaginar e valorizar o patrimônio musical e as práticas culturais que moldaram a identidade de Feira de Santana.
O Papel da Música na Memória Urbana
A música desempenha um papel crucial na construção da memória urbana. Ao recuperar experiências musicais passadas, o Projeto Retreta não apenas proporciona entretenimento, mas também uma reflexão sobre a história social e cultural da cidade. As coretos, por sua vez, sempre foram palcos de alegria, devoção e comunhão.
O retorno das apresentações ao ar livre, como as retretas, busca revitalizar esses espaços e reestabelecer as conexões que a cidade possui com sua herança cultural, permitindo que as novas gerações vivenciem a rica tapeçaria histórica de Feira de Santana.
Intercâmbio entre Filarmônicas Baianas
Um dos objetivos do Projeto Retreta é fomentar o intercâmbio entre as diferentes filarmônicas da Bahia. A presença da União Sanfelixta nas edições do projeto é um exemplo dessa dinâmica, promovendo um ambiente onde as tradições musicais podem ser compartilhadas e celebradas.
Essa prática não só enriquece o evento, como fortalece as relações entre comunidades e seus representantes musicais, chave para a preservação e valorização das heranças culturais locais. Os encontros propiciam uma troca de repertórios e práticas, ampliando o que cada sociedade filarmônica tem a oferecer.
O Futuro do Patrimônio Musical em Feira de Santana
O futuro do patrimônio musical de Feira de Santana depende de uma contínua valorização e preservação das tradições e espaço. Projetos como o Retreta são essenciais não apenas para a manutenção da memória cultural, mas para o incentivo à formação de novos músicos e ao desenvolvimento de espaços para encontros e apresentações.
Além disso, é crucial que instituições cuidem da documentação constante e do acesso público a esse patrimônio. A responsabilidade com esses legados culturais não termina com as celebrações, mas deve ser um esforço contínuo da comunidade, das escolas de música e das instituições culturais.


